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O seu trabalho não é apenas o seu trabalho...

O seu trabalho não é apenas o seu trabalho...

O seu trabalho não é apenas o seu trabalho...

Hoje vou trazer um insight a respeito de um dos significados de trabalho. Esta reflexão surgiu a partir da leitura de um dos livros de Fred Kofman [1]. Já ouviu falar dele? Kofman é Vice-Presidente de Desenvolvimento Executivo do LinkedIn, e é um reconhecido palestrante no mundo corporativo. Recomendo a leitura desta obra, pois é muito interessante e repleta de reflexões sobre o papel da liderança, do propósito e da importância do trabalho em equipa.

Pois bem, como palestrante Kofman ministra diversos workshops em vários países e em muitas organizações. Eu tomo a liberdade de citar, não de maneira literal, parte de um diálogo ocorrido num destes trabalhos. Vamos lá. Ele inicia os trabalhos através de um pedido: que as pessoas se apresentem em pares, ou seja, após uma rápida conversa embasada em duas perguntas (nome e trabalho realizado), fulano apresentava sicrano e sicrano o fulano.

- Ele chama-se João e é do Jurídico.

- Ela chama-se Sandra e promove campanhas de marketing.

Rapidamente, Fred Kofman diz que a apresentação feita estava errada. Ainda mais, desafia todos na sala e diz que ninguém sabe com quem trabalha. Caso alguém desse a resposta certa, ele daria US$ 100.00 a essa pessoa. Ele estava tão confiante nesta afirmação que disse que em um minuto provaria que ninguém teria êxito em relação ao desafio lançado. A sala ficou muda e ninguém se quis arriscar a falar nada e, mais, notou que as pessoas sentiam que o workshop era uma armadilha. Ele desafiou ainda mais os participantes e disse que, se algum deles acertasse a resposta e ganhasse o prémio, todos seriam dispensados do evento, entretanto, caso não dessem a resposta correta ficariam até o final do workshop.

Uma das participantes, Catarina, ofereceu-se a responder à pergunta dele.

- Catarina, qual é o seu trabalho, diz Fred.

- Eu sou da Auditoria Interna.

- Qual é o seu trabalho como Auditoria Interna?

- Garantir que os processos organizacionais sejam confiáveis.

- Perfeito, Catarina. Você praticava algum desporto na escola?

- Sim, ela diz. Jogava futebol.

- Ótimo! Em que posição jogava?

- Na defesa.

- Agora a pergunta: qual era o seu trabalho?

- Impedir que a outra equipa fizesse golo! – disse Catarina.

Fred volta-se para a plateia e perguntou se alguém discordava. Silêncio absoluto! Então, perguntou a outro participante:

- Se o trabalho de um guarda-redes é impedir o golo, qual é o trabalho de um avançado?

- Marcar golos – responderam várias pessoas.

- Ótimo, diz Fred. Agora a minha próxima pergunta: Qual é o trabalho de uma equipa?

- Cooperar – disse alguém.

- Cooperar para quê, perguntou Kofman.

- Para vencer! - ressoou uma voz do fundo da sala.

- Isso mesmo, diz Fred. O trabalho de uma equipa é vencer o jogo.  Se o trabalho de uma equipa é vencer, qual é o principal trabalho de cada um dos membros da equipa?

Muitas pessoas desta vez disseram: - Ajudar a equipa a vencer.

- Pois bem, disse Fred. Se o guarda redes impede a equipa de sofrer um golo, mas o avançado não marca, foi cumprida a missão do defesa da equipa?

- Sim, é claro, disse Catarina. Afinal este era o meu trabalho.

- Mas se os atacantes não fizerem golos, a equipa vencerá?

- Não. Empatará, disse o João.

- Notem que se uma parte da equipa cumpre o seu objetivo e a outra não, o trabalho conjunto da equipa não levou ao resultado esperado.

Fred ainda pergunta: - Imagine que a sua equipa sofreu um golo do adversário. Você como técnico da equipa diria o quê aos guarda redes?

- Para que fossem ao ataque e tentassem empatar o jogo – afirmou alguém.

- Exatamente, disse Fred. Então como reagiria se eles dissesem assim: “- Correu mal “mister”, não temos culpa, não é o nosso trabalho!”

- Eu, os demitiria naquele momento.

- Porquê? Isto poderia aumentar a chance da outra equipa marcar um segundo golo no contra-ataque. Se o trabalho do guarda redes é ajudar a equipa a vencer, então ir para o ataque é a coisa certa a fazer. Se o seu trabalho é somente e apenas minimizar a quantidade de golos contra a sua equipa, então é a coisa errada, segundo esta lógica.

Fred imediatamente perguntou: - Então qual é o trabalho de um atacante?

- Ajudar a equipa a vencer.

- E qual é o trabalho do homem que leva água para os jogadores?

- Ajudar a equipa a vencer, disse um participante.

- Mas, ainda não entendi como isto está relacionado com os nossos trabalhos – disse alguém.

- Em 1961, o presidente Kennedy foi visitar a sede da NASA pela primeira vez – disse Fred. Enquanto andava pelo lugar, ele se apresentou para um que estava a esfregar o chão e perguntou-lhe o que ele fazia lá. O senhor, responsável pela limpeza, respondeu todo orgulhoso: “Estou a ajudar a levar o homem à lua!”

- Pois bem, disse Fred, quantos de vocês disseram aos seus colegas “o meu trabalho é ajudar a empresa a vencer” no primeiro exercício? Quantos de vocês perceberam que o seu trabalho principal é ajudar a empresa a atingir sua missão com ética e lucro? Quantos de vocês ouviram os seus parceiros descreverem os seus trabalhos como “contribuir para aumentar o valor da nossa empresa”?

Estes diálogos atestam que ninguém ganhou a aposta, mas as pessoas aprenderam algo valioso. Os colaboradores de qualquer empresa têm como objetivo comum garantir que a empresa tenha sucesso. O trabalho em equipa é extremamente importante. Eu isoladamente ter sucesso não faz com que seja uma garantia que a coletividade terá êxito – todos precisam de se ajudar uns aos outros para que a coletividade tenha sucesso!

Quantas vezes nos deparamos com a postura de que “eu estou a fazer a minha parte e se tu não fazes a tua, problema teu!”? Quantas vezes notamos que os indivíduos se preocupam apenas consigo e não com o outro que está ao lado?

Felizmente, ano a ano, as nossas pesquisas indicam que os Best Workplaces TM são organizações em que o trabalho em equipa existe. A Camaradagem, uma das cinco dimensões do nosso Modelo©, é construída através da hospitalidade para os novos membros e para aqueles que são transferidos internamente, de um ambiente amistoso e do sentimento de equipa. Na Edição 2018/2019 a média desta dimensão foi de 84% e a afirmação “Podemos contar com a colaboração dos colegas” teve uma média também de 84%, ou seja, a maioria dos guarda-redes e dos avançados está preocupada com que a equipa vença!

Na minha reflexão surgiu uma dúvida - Fred Kofman utilizou somente a figura de defesas e de avançados. E os jogadores de meio-campo – aqueles clássicos camisas 8 e 10 que ocupam o imaginário dos fanáticos por futebol? Bem, na minha opinião, por analogia estes são os líderes - os grandes responsáveis por fazer a intermediação entre defesa e ataque através de jogadas planeadas e estratégicas.

O sucesso de uma organização pode ser medido pela qualidade do trabalho em equipa: líderes e colaboradores que trabalham com senso comum e propósito.

E na sua empresa como é o sentimento de equipa? Cada pessoa está preocupada apenas com o seu espaço ocupacional ou há uma preocupação de todos pelo sucesso da empresa?

Se quiser saber como medir estes aspetos e outros que são importantes para construir uma excelente empresa para trabalhar, entre em contato com um dos nossos consultores.

Referência

[1]   KOFMAN, F. The Meaning Revolution: The Power of Transcendent Leadership. New York: Penguin Random House, 2018.

 

 

 

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