Eis o que os dados revelam sobre os ERGs e o seu papel na inovação.
Os Employee Resource Groups (ERGs), ou Grupos de Recursos de Colaboradores, são comunidades voluntárias formadas por pessoas que partilham características, interesses ou experiências comuns, promovendo inclusão, desenvolvimento profissional e sentimento de pertença dentro das organizações. Tradicionalmente associados a temas como diversidade, equidade e inclusão, os ERGs estão hoje a assumir um papel cada vez mais estratégico na disseminação de conhecimento, na promoção da inovação e na aceleração da mudança organizacional.
Neste contexto, os ERGs podem revelar-se uma das ferramentas mais eficazes para impulsionar a transformação com Inteligência Artificial.
A investigação da Great Place To Work® mostra que os participantes em ERGs têm maior probabilidade de afirmar que utilizam IA pelo menos uma vez por mês do que os não participantes em locais de trabalho típicos, sugerindo que os ERGs desempenham um papel frequentemente subvalorizado na aceleração da adoção da IA.

O que explica esta diferença?
"Os ERGs são frequentemente motores de inovação devido à forma como atravessam departamentos e funções distintas", afirma Matt Bush, Senior Principal da Great Place To Work. "A investigação demonstra que aumentar o número de pessoas capazes de contribuir com novas ideias e experimentar novas abordagens permite às organizações gerar melhores ideias de forma mais rápida."
Os dados da Great Place To Work mostram ainda que os membros de ERGs reportam menos barreiras à inovação. Em inquéritos realizados a quase 12.000 membros de ERGs, distribuídos por 83 grupos diferentes, os investigadores verificaram que a proporção de colaboradores que afirmam conseguir inovar facilmente era de 10 para cada dois colaboradores que diziam ter dificuldade em participar na inovação.
Entre os colaboradores que não pertenciam a ERGs nas mesmas empresas, essa proporção era de apenas seis inovadores para cada dois colaboradores que não inovavam facilmente.
Esta comparação entre inovadores e não inovadores, conhecida como Innovation Velocity Ratio (IVR), é um indicador avançado da velocidade com que novos comportamentos, ferramentas e formas de trabalhar se disseminam numa organização.
Numa empresa, os esforços de transformação só ganham verdadeira tração quando os promotores da mudança começam a superar em número os céticos.
É importante destacar que a investigação da Great Place To Work demonstra que as barreiras à inovação não surgem ao nível individual, mas resultam frequentemente de fatores ambientais. Quando mais colaboradores confiam na sua organização, maior é a sua disponibilidade para experimentar novas abordagens e assumir riscos calculados que impulsionam o progresso.
Os grupos de recursos de colaboradores estão numa posição privilegiada para acelerar a mudança, quebrando silos organizacionais e ajudando a disseminar novas práticas e comportamentos.

Compreender o impacto do IVR
A inovação é um dos pilares do Great Place To Work Effect, que demonstra o impacto de uma cultura de elevada confiança nos resultados financeiros das empresas.
Quando os colaboradores têm níveis mais elevados de confiança nas suas lideranças e na organização como um todo, é mais provável que experimentem novas formas de trabalhar ou desenvolvam novas ideias.
Nas empresas Great Place To Work Certified™, por cada dois colaboradores que enfrentam obstáculos ao tentar inovar, quatro afirmam ter muitas oportunidades para experimentar coisas novas no trabalho. Este valor é o dobro do registado em locais de trabalho típicos, onde a proporção é de apenas 2:2.
À medida que uma empresa cresce, o impacto torna-se ainda mais evidente: ser um excelente lugar para trabalhar pode significar ter milhares de colaboradores adicionais dispostos a experimentar novas abordagens e abraçar a inovação numa organização com mais de 1.000 colaboradores.
O IVR é também uma das razões que ajudam a explicar porque é que as empresas presentes na lista Fortune 100 Best Companies to Work For® registam uma receita por colaborador 8,5 vezes superior e um retorno bolsista 3,5 vezes maior.
"Um elevado número de colaboradores a inovar é um indicador crítico da saúde organizacional num ambiente empresarial impulsionado pela IA e em rápida transformação", afirma Bush.
O que os líderes dos ERGs devem fazer
1. Acelerar a aprendizagem
A retenção de talento é frequentemente um dos principais indicadores de sucesso dos ERGs. Nesse sentido, a capacitação dos colaboradores em Inteligência Artificial pode reforçar a sua confiança na organização e prepará-los para assumir novas responsabilidades e oportunidades de carreira. Nos projetos-piloto ou iniciativas em que estejam a ser utilizadas ferramentas de IA, os líderes dos ERGs podem colaborar com as equipas de Tecnologias de Informação e de Aprendizagem e Desenvolvimento para:
- Promover laboratórios de competências em IA;
- Criar redes de mentoria entre pares;
- Desenvolver experiências de aprendizagem específicas para cada função.
À medida que as funções evoluem e as necessidades das organizações mudam, os colaboradores que demonstram novas competências e capacidade de adaptação tendem a estar mais bem preparados para assumir outros desafios dentro da empresa.
2. Escalar o coaching
As ferramentas de IA podem ajudar a democratizar o acesso ao coaching e aos sistemas de feedback, tornando-os mais acessíveis a todos os colaboradores. Um objetivo ambicioso para os líderes de ERGs pode passar por garantir que todos os membros do grupo recebem orientação, feedback e avaliações de desempenho que contribuam efetivamente para o seu desenvolvimento profissional.
3. Utilizar a IA como ferramenta de desenvolvimento
Em vez de encarar a Inteligência Artificial apenas como uma forma de simplificar tarefas, os colaboradores podem utilizá-la para aprofundar conhecimentos, testar ideias e desafiar pressupostos. Sendo uma tecnologia de propósito geral, a IA pode funcionar como um tutor personalizado capaz de apoiar a aprendizagem e o desenvolvimento de novas competências. No entanto, quando utilizada apenas para obter respostas rápidas, o potencial de aprendizagem torna-se mais limitado. Para os líderes de ERGs focados no desenvolvimento das suas pessoas, o desafio passa por incentivar uma utilização da IA que promova a reflexão crítica, a aprendizagem contínua e o crescimento profissional dos colaboradores.
Como acelerar a inovação na sua organização?
Os ERGs podem desempenhar um papel determinante na disseminação da inovação e na adoção da Inteligência Artificial, mas para gerar impacto é essencial medir o progresso e compreender quais as práticas que estão realmente a impulsionar a mudança.
Através da jornada de Certificação Great Place To Work®, as organizações podem avaliar indicadores relacionados com a inovação, incluindo o Innovation Velocity Ratio (IVR), identificar barreiras à experimentação e compreender até que ponto os colaboradores se sentem encorajados a testar novas ideias, assumir riscos calculados e adotar novas formas de trabalhar.
Além disso, os resultados permitem identificar oportunidades para reforçar iniciativas de desenvolvimento, explorar o potencial da IA no dia a dia das equipas e implementar ferramentas e práticas que promovam uma maior confiança, aprendizagem e capacidade de inovação em toda a organização.
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