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Capacitar trabalhadores para a mudança é a melhor forma de os proteger

 Capacitar trabalhadores para a mudança é a melhor forma de os proteger

No painel Futuro do trabalho: Tecnologia, IA e competências, participaram Nuno Fernandes (Casais), Miguel Tolentino (Worten) e Pedro Santa Clara (Escola 42)

Foto de: Matilde Fieschi - Fotojornalista. | Artigo de: Inês de Almeida Fernandes - Jornalista

Futuro do trabalho será marcado pela tecnologia e pela procura de novas competências. A era da Inteligência Artificial esteve em destaque no Great Leadership: Conversas que moldam o futuro do trabalho, onde se apontou a formação e requalificação dos trabalhadores como um dos principais desafios dos próximos anos. Evento foi organizado pela Great Place to Work, com o Expresso como media partner

O trabalho está a mudar de forma acelerada e com ele processos, empresas e pessoas. A evolução tecnológica, movida pela Inteligência Artificial (IA), cria oportunidades, mas também desafios a que as organizações e o país podem não estar preparados para responder. O palco Impresa recebeu, esta quarta-feira, o evento Great Leadership: Conversas que moldam o futuro do trabalho, que ao longo da manhã procurou encontrar respostas para uma questão complexa: como preparar trabalhadores, empresas e até o Estado, para um futuro que se constrói e reinventa quase diariamente?

Para começar, é preciso abordar um dos maiores medos dos últimos anos: a substituição dos humanos pela tecnologia. “Temos de proteger as pessoas, não os seus papéis ou os seus empregos. Temos de as capacitar para que se possam adaptar”, disse Pedro Santa Clara, professor e fundador da Escola 42.

O receio em torno da IA, afirmou, “é fundado”, porque haverá trabalhadores que terão de mudar de função ou de empresa, mas a resposta, defendeu, deve passar menos pela preocupação em conservar postos de trabalho tal como existem atualmente e mais por dar às pessoas ferramentas para criarem valor em novos contextos.

Nesse sentido, a formação e a requalificação são os primeiros passos para atacar o problema, mas a realidade nacional é desafiante. A oferta académica tradicional não tem capacidade para capacitar milhões de trabalhadores para um futuro em que “toda a gente, independentemente da profissão, terá de perceber muito de tecnologia”.

E se a tecnologia, as pessoas e as empresas podem ser, simultaneamente, arquitetos ou entraves à evolução, o Estado também pode ter um papel mais ou menos facilitador. Nesse sentido, o Governo “declarou guerra à burocracia” que nos últimos 50 anos dificulta a vida dos cidadãos e das organizações, disse Gonçalo Matias, ministro adjunto e da reforma do Estado.

“Se a ideia é as empresas serem melhores sítios para trabalhar, cabe também ao Estado garantir que têm condições para se desenvolver e prosperar”, disse, sublinhando que a resolução dos problemas passa pela simplificação e digitalização, os dois principais pilares da estratégia de reforma.

A pesada máquina burocrática portuguesa criou um sistema “infernal e labiríntico” que paralisa o país e as empresas e, no fim, todos perdem. O objetivo, declarou o governante, é fazer de Portugal um “great place to work e um great place to live, para pessoas e empresas”.

Conheça abaixo as principais conclusões.

Liderança e cultura são fatores de competitividade

Propósito, flexibilidade e desenvolvimento de carreira foram apontados como fatores-chave para a retenção de talento. “Ouvir os colaboradores e atuar sobre o que dizem é essencial”, disse Rita Reis, senior director, Value, Access, Government & Public Affairs da Merck.

A confiança, a cultura organizacional e a liderança também têm vindo a moldar o caminho das organizações e já não são temas restritos à área dos recursos humanos, apontou Maurício Korbivcher, CEO da Great Place to Work em Portugal.

IA cria desafios às organizações

A IA cria a oportunidade para libertar os trabalhadores de tarefas repetitivas e melhorar a tomada de decisão, acredita Nuno Fernandes. Contudo, referiu o administrador executivo da Casais, “de pouco vale a melhor plataforma tecnológica se a organização não estiver preparada para a implementar”.

Miguel Tolentino, chief people officer da Worten, explicou que a empresa já usa IA em bots de call center e chats de apoio a vendedores, mas considera que o maior desafio na implementação não é tecnológico, mas sim organizacional.

Estado e empresas também impactam futuro do trabalho

Carlos Guimarães Pinto defendeu que as empresas continuam a ter como objetivo gerar lucro, mas não “a qualquer custo”. Tratar bem os trabalhadores e criar sentido de missão tornou-se essencial para reter talento.

Ricardo Salgado, CEO da DSTELECOM, defendeu que as redes digitais são fundamentais para a coesão territorial. Levar fibra ótica a regiões antes sem conectividade permite fixar pessoas, atrair talento e reduzir assimetrias.

Este projeto é apoiado por patrocinadores, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver Código de Conduta), sem interferência externa.

 

 

Este artigo faz parte da edição de Junho do Expresso.

Publicação original no Expresso;