O motivo pelo qual os esforços da sua organização com IA não estão a gerar resultados? Talvez seja altura de se olhar ao espelho.
A conversa sobre Inteligência Artificial (IA) no trabalho está a mudar de “Como conseguimos que mais colaboradores utilizem esta tecnologia?” para “Porque é que isto ainda não está a dar retorno?”.
Empresas como a Uber relatam uma ligação ainda pouco clara entre o investimento em IA e o retorno financeiro obtido, mesmo à medida que os custos aumentam significativamente. (A Uber gastou todo o orçamento de programação assistida por IA para 2026 em apenas quatro meses.)
Então, onde é que as organizações estão a falhar?
No For All Summit™ da Great Place To Work®, um evento internacional que junta lideres das Melhores Empresas de todo o mundo realizado em abril, Geoff Woods, autor do best-seller The AI-Driven Leader, apresentou uma resposta simples: os líderes estão a utilizar a IA para resolver os problemas errados.

Os erros de IA que os líderes devem evitar
Woods identificou seis erros que comprometem qualquer estratégia de IA:
1. A liderança sénior não dá o exemplo na utilização da IA
Se os líderes não utilizarem IA no seu próprio trabalho, a adoção por parte das equipas tende a estagnar.
Uma investigação da Great Place To Work revelou que os colaboradores que confiam na forma como os seus líderes incentivam a utilização da IA têm 2,5 vezes mais probabilidade de utilizar esta tecnologia mensalmente.
“O principal fator determinante do retorno sobre o investimento em IA não tem nada a ver com tecnologia”, afirma Woods. “Tem tudo a ver com o envolvimento direto do CEO.”
Os dados do estudo Best Workplaces™ em Tecnologias de Informação em Portugal mostram que a inovação está intimamente ligada ao papel da liderança. Nas 25 Melhores Empresas para Trabalhar, 44% dos colaboradores dizem ter muitas oportunidades para inovar, num contexto em que 88% reconhecem uma visão clara da liderança, 91% sentem segurança para aprender com os erros e 92% afirmam conseguir adaptar-se rapidamente à mudança. Estes resultados sugerem que a inovação floresce quando os líderes criam as condições certas para que as pessoas experimentem, aprendam e contribuam.
2. Os processos de IA não são desenvolvidos em colaboração com os colaboradores
Segundo Woods, as estratégias de IA estão condenadas ao fracasso quando ignoram o contributo das pessoas que executam o trabalho diariamente.
“Se não conseguir realmente alinhar a força de trabalho com a direção que a organização pretende seguir e desbloquear as vozes das pessoas para que participem na mudança e sintam que estão a cocriá-la, elas irão resistir.”
Um estudo da Writer revelou que 29% dos colaboradores admitem sabotar a estratégia de IA da sua empresa.
3. Os líderes utilizam a IA apenas para tarefas de baixo valor
Muitos gestores recorrem à IA para substituir pesquisas no Google ou escrever melhores emails. Embora isso seja útil, não gera necessariamente valor estratégico.
Woods explica este desafio através do princípio 80/20: os líderes devem identificar os 20% das atividades que geram 80% do valor para o negócio.
“Quantas pessoas são promovidas por escreverem excelentes emails?”, questiona.
O verdadeiro potencial da IA está em ajudar a resolver problemas críticos, melhorar decisões e acelerar iniciativas estratégicas.
4. Os líderes colocam a ferramenta à frente da estratégia
“Para alguém que escreveu um livro sobre IA, eu não me preocupo particularmente com a IA”, afirma Woods.
O objetivo não deve ser utilizar o máximo de IA possível. Obsessões como o chamado tokenmaxxing — o uso excessivo de modelos e agentes de IA — podem simplesmente tornar-se uma forma muito cara de gastar recursos.
A IA é uma ferramenta, não uma estratégia.
“Pode ajudá-lo a atingir os seus objetivos, mas também pode distrai-lo deles.”
Quando o único objetivo de uma organização é utilizar mais IA, corre-se o risco de procurar aplicações para a tecnologia em vez de resolver problemas reais do negócio.
5. Os líderes não fornecem contexto suficiente à IA
Se a IA não está a gerar respostas úteis, o problema pode não estar na tecnologia, mas na qualidade da informação fornecida.
“Quando acha que já forneceu contexto suficiente, parta do princípio de que ainda não forneceu. Dê mais contexto.”
Foi precisamente por isso que Woods desenvolveu o modelo CRIT™, uma framework para criar prompts mais completos e eficazes., uma framework para criar prompts mais completos e eficazes.
Ele sugere duas práticas simples:
Peça à IA que o entreviste
Solicite que a IA faça perguntas sobre o problema antes de responder.
Mesmo três perguntas podem melhorar significativamente a qualidade da resposta.
Utilize a funcionalidade de voz para texto
Segundo Woods:
“Quando escreve, tende a editar-se constantemente.”
Ao explicar verbalmente um desafio, é mais provável fornecer detalhes e nuances que ajudam a IA a produzir respostas mais relevantes.
6. Os líderes confiam excessivamente na IA
Para Woods, um dos maiores riscos da IA é a substituição do pensamento crítico humano.
“O cérebro é como um músculo. Se delegar o seu pensamento na IA, essa capacidade irá atrofiar-se ao longo do tempo.”
Os utilizadores mais eficazes de IA não aceitam respostas de forma passiva. Pelo contrário, questionam, desafiam e refinam os resultados.
Dizem à IA o que consideram útil, o que não funciona e o que pode ser melhorado.
É precisamente esta interação crítica que mantém a IA valiosa — e evita que os líderes entreguem à tecnologia aquilo que os torna verdadeiramente indispensáveis: a capacidade de pensar, decidir e liderar.
Como transformar a IA numa vantagem competitiva?
Os seis erros identificados por Geoff Woods mostram que o sucesso da IA depende menos da tecnologia e mais da capacidade da liderança para criar as condições certas para a sua adoção.
É precisamente isso que observamos nas Melhores Empresas para Trabalhar em Portugal. Organizações com elevados níveis de confiança, agilidade e inovação conseguem preparar melhor as suas pessoas para experimentar novas abordagens, aprender com os erros e adaptar-se rapidamente à mudança — fatores essenciais para retirar valor da IA.
Estas organizações destacam-se por algumas práticas consistentes:
Investir no desenvolvimento de competências
A adoção da IA começa pelas pessoas. As melhores organizações apostam na formação contínua e no desenvolvimento de competências que ajudam os colaboradores a utilizar novas ferramentas com confiança e sentido crítico.
Criar espaço para experimentar
A inovação floresce quando existe segurança psicológica. Ao encorajar a experimentação e aceitar os erros como parte do processo de aprendizagem, as organizações aceleram a adoção de novas tecnologias e soluções.
Envolver os colaboradores na transformação
As pessoas apoiam aquilo que ajudam a construir. As melhores empresas promovem a participação ativa dos colaboradores na identificação de oportunidades, na geração de ideias e na implementação de iniciativas de inovação.
Utilizar a tecnologia para melhorar a experiência de trabalho
A IA gera maior impacto quando é aplicada para simplificar processos, reduzir tarefas repetitivas e libertar tempo para atividades de maior valor, melhorando simultaneamente a experiência dos colaboradores.
Comunicar com transparência
Uma comunicação clara sobre os objetivos, benefícios e impacto da IA ajuda a reduzir receios, reforçar a confiança e aumentar o envolvimento das equipas.
A liderança continua a ser o fator decisivo
A IA pode acelerar processos, melhorar decisões e aumentar a produtividade. Mas nenhuma tecnologia consegue substituir aquilo que continua a distinguir as organizações de elevado desempenho: líderes que inspiram confiança, comunicam uma visão clara e criam ambientes onde as pessoas se sentem seguras para inovar.
Os dados dos Melhores Lugares para Trabalhar mostram que, quando a liderança promove confiança, agilidade e inovação, as organizações estão mais preparadas para transformar a IA num verdadeiro motor de crescimento e não apenas em mais uma ferramenta tecnológica.
A sua organização está preparada para tirar partido da IA?
A adoção bem-sucedida da Inteligência Artificial começa muito antes da escolha das ferramentas. Começa na cultura organizacional, na confiança que as pessoas depositam na liderança e na capacidade da empresa para se adaptar rapidamente à mudança.
A Certificação Great Place To Work® permite avaliar precisamente estes fatores e compreender como a experiência dos colaboradores na sua organização se compara com a das Melhores Empresas para Trabalhar em Portugal.
Inicie a jornada de Certificação e descubra se a sua organização está a criar as condições necessárias para inovar, acelerar a adoção da IA e preparar-se para os desafios do futuro.
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Comece já a transformação.
