Cultura Organizacional, People Analytics
As empresas desempenham um papel central no funcionamento das sociedades modernas. Durante muito tempo, foram vistas sobretudo como entidades focadas na produção de bens, prestação de serviços e geração de lucro. Contudo, no contexto atual de globalização, avanços tecnológicos, desafios ambientais e desigualdades sociais, o papel das empresas tornou-se muito mais amplo. Hoje, as empresas são reconhecidas como importantes agentes de transformação social e económica, capazes de influenciar positivamente a qualidade de vida das populações, o desenvolvimento sustentável e a inovação social.
A atuação das empresas ultrapassa os limites económicos tradicionais, impactando diretamente o emprego, a educação, o ambiente, a inclusão social e o desenvolvimento das comunidades.
As empresas são fundamentais para o crescimento económico de qualquer país. Através da produção de bens e serviços, contribuem para a criação de riqueza, geração de empregos e aumento do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, promovem a circulação de capital, estimulam investimentos e incentivam o consumo. Ao empregarem milhões de pessoas, as empresas garantem rendimento às famílias e dinamizam a economia local e nacional. Quanto maior o nível de emprego, maior tende a ser o poder de compra da população, o que fortalece o mercado interno.
O papel das empresas como agentes sociais na qualificação do trabalho em Portugal
Além disso, as empresas contribuem para a qualificação profissional dos trabalhadores através de formações, estágios e programas de capacitação. Esse investimento no capital humano favorece o aumento da produtividade e da competitividade económica.
Práticas promotoras da qualificação profissional
1. Academias de formação interna (competências técnicas e softskilss)
Muitas empresas certificadas criam academias próprias para centralizar a aprendizagem e disponibilizar conteúdos técnicos e comportamentais.
A Worten desenvolveu a "Worten Academy", uma plataforma digital de aprendizagem contínua acessível a todos os colaboradores.
2. Plataformas digitais de aprendizagem
As empresas certificadas investem fortemente em e-learning e aprendizagem autónoma.
3. Planos de desenvolvimento individual (PDI)
É frequente cada colaborador ter objetivos de aprendizagem definidos em conjunto com a liderança, ligados à progressão de carreira. A avaliação de desempenho é utilizada para identificar necessidades formativas e oportunidades de crescimento.
4. Programas estruturados de onboarding
A integração inicial é vista como uma etapa formativa essencial. A Crossjoin utiliza programas de acolhimento que incluem apresentação da cultura, acompanhamento e integração progressiva na função.
5. Mentoria e coaching
Os colaboradores mais experientes apoiam o desenvolvimento dos mais novos através de programas de mentoria formal ou informal, acelerando a transferência de conhecimento e a integração cultural. Esta prática é frequentemente associada a programas de liderança e sucessão.
Empresas e a Responsabilidade Social e Ambiental
Atualmente, consumidores e cidadãos exigem que as organizações assumam responsabilidades sociais e ambientais, adotando práticas éticas e sustentáveis. A responsabilidade social empresarial refere-se ao compromisso das empresas com o bem-estar da sociedade. Isso inclui ações voltadas para a preservação ambiental, apoio a projetos comunitários, promoção da igualdade e respeito pelos direitos humanos.
Muitas empresas desenvolvem programas sociais ligados à educação, combate à pobreza, inclusão digital e apoio a grupos vulneráveis. Estas iniciativas fortalecem a relação entre empresas e comunidades, criando valor não apenas económico, mas também social. Muitas empresas já permitem que os colaboradores dediquem parte do seu horário de trabalho pago a causas sociais. Exemplo disso é a Cisco e a GALP.
Organizações comprometidas com práticas sustentáveis procuram reduzir desperdícios, diminuir emissões de carbono e utilizar recursos naturais de forma responsável. A adoção de energias renováveis, reciclagem, economia circular e produção sustentável demonstra como as empresas podem contribuir para um modelo de desenvolvimento mais equilibrado e consciente.
Promoção da Inclusão e Diversidade
As empresas modernas também têm contribuído para a valorização da diversidade e inclusão no ambiente de trabalho. A promoção da igualdade de género, inclusão de pessoas com deficiência e combate à discriminação tornaram-se elementos importantes da cultura organizacional.
Exemplo: integração de pessoas com deficiência promovido pela Cofidis é a parceria com o Café Joyeux. Localizado nas instalações da sede da empresa, este café-restaurante solidário e inclusivo está aberto ao público e emprega ativamente jovens-adultos com dificuldades intelectuais e de desenvolvimento.
Parcerias entre empresas, Estado e sistema educativo
Práticas comuns das empresas certificadas:
- Estágios curriculares e profissionais para estudantes.
- Estágios de curta duração para filhos de colaboradores para terem uma primeira experiência com o mundo de trabalho;
- Comparticipação/pagamento de licenciaturas, mestrados ou doutoramentos a colaboradores;
- Projetos de investigação e desenvolvimento (I&D) entre universidades e empresas.
- Bolsas de estudo e patrocínios a instituições de ensino superior;
- Bolsas de estudos/ prémios de mérito aos filhos de colaboradores;
- Desenvolver programas de mentoria para estudantes.
- Formação contínua e requalificação profissional de trabalhadores
Valorização do talento nacional: atratividade de Portugal (atrair e reter talento global)
Nos últimos anos, diversas empresas multinacionais escolheram Portugal para instalar centros de serviços partilhados, hubs tecnológicos, centros de inovação, operações de suporte ao cliente e estruturas de gestão regional, contribuindo para o desenvolvimento económico e para a criação de emprego qualificado.
Um dos principais fatores que explica esta tendência é a disponibilidade de talento qualificado. Portugal dispõe de universidades e institutos politécnicos reconhecidos pela qualidade da sua formação, produzindo profissionais altamente capacitados em áreas como engenharia, tecnologias de informação, gestão, finanças, ciência de dados, inteligência artificial, línguas e comunicação internacional. Adicionalmente, os profissionais portugueses apresentam, em geral, um elevado nível de proficiência em inglês e noutras línguas europeias, o que constitui uma vantagem significativa para organizações com operações globais.
Outro elemento determinante é a competitividade dos custos. Comparativamente a outros países da Europa Ocidental, Portugal oferece custos salariais e operacionais mais reduzidos, permitindo às multinacionais otimizar recursos sem comprometer a qualidade dos serviços prestados ou o acesso a mão de obra qualificada.
A localização estratégica do país representa igualmente uma vantagem relevante. Situado na extremidade ocidental da Europa, Portugal funciona como uma ponte entre a Europa, África, América do Norte e América do Sul. O nosso fuso horário favorece a coordenação de operações internacionais e a comunicação entre equipas distribuídas por diferentes continentes.
Eventos internacionais, como a Web Summit, reforçaram a visibilidade de Portugal no panorama tecnológico global e ajudaram a atrair investimento estrangeiro.
Os incentivos públicos também desempenham um papel importante neste processo. O Estado português, através de diferentes programas e entidades de promoção do investimento, disponibiliza incentivos financeiros, apoios à investigação e inovação, acesso a fundos europeus e iniciativas de qualificação profissional, criando condições favoráveis à instalação e expansão de multinacionais.
A qualidade de vida Portugal destaca-se pela segurança, clima ameno, sistema de saúde, custo de vida relativamente competitivo e boas infraestruturas digitais.
Mas e o reconhecimento de empresas como motores de competitividade, existe?
O reconhecimento de empresas e talento não é apenas simbólico: é um fator estratégico de desenvolvimento económico. Economias mais competitivas são aquelas que conseguem valorizar simultaneamente organizações eficientes e pessoas qualificadas, criando um círculo virtuoso de inovação, crescimento e atração de investimento.
- Centros de serviços partilhados (SSC) e Global Business Services
- Tecnologias da Informação (IT) e transformação digital
- Business Process Outsourcing (BPO) e Customer Service
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